Tenho saudade de mim, do EU que um dia fui e, deixado para traz, não volta mais.
Na vida diversas coisas são cíclicas, mas o EU não é. E a vida fez reinventar-me por tantas e tantas vezes que fui deixando para traz alguém que já lembro em terceira pessoa.
Vivo me perguntando se não está escondido por baixo dessa casca grossa. Pois é exatamente o que acontece. No baile da vida vamos vestindo fantasias. Ela, a vida, sedenta para nos enquadrarmos logo, chegando a fazer a adaptação através da transformação uma necessidade vital. Aí está a pureza das crianças! E já não tem mais volta! Temos até marcas e cargas que carregamos e nos vangloriamos por estarmos mais forte, por termos aprendido. Mas seja sincero! Não me diga que foi melhor passar por aquela infinita dificuldade ou por aquela perda dilacerante. Já sobrevivi sim, mas quer saber a verdade? Preferia ter continuado ingênua, com os olhos doces, e menos sábia com certeza (com a sabedoria de menina que basta e pronto)
. Claro que isso não é para mim...rsss... é apenas um pensamento de uma alma que se sente cansada por vezes.Sou estudiosa dos sentimentos humanos. Tenho necessidade de viver, de experimentar, de entrar no mundo do outro. Acho um grande mistério a formação de cada ser particular, cada um em um mundo tão pessoal, e cada palavra dita, cada situação, que as vezes simples aos olhos dos outros a você marcou muito, formaram cada um. (Ao ver um mendigo na rua, um senhor na praça, a moça nervosa no metro eu viajo tentando identificar o que levaram aquelas pessoas ali. Quais são as verdades delas. Uns gostam de julgar, eu gosto de conhecer simplesmente, de entender. ). Mas a vida é uma roda maluca que cansa!
E no fim o que queria mesmo dizer é que tenho saudade de mim....e quando a saudade é de outras pessoas, ou nos conformamos pela morte ou a procuramos, mas esse EU não está nem morto e também me parece impossível encontra-lo
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